Ave
Caipira
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Iniciado
em dezembro de 1996, o projeto foi concebido como um instrumento
para fazer renascer e incentivar a avicultura caipira, até
então sem nenhum significado econômico, com tecnologia e rentabilidade,
visando a diversificação das atividades produtivas na pequena
propriedade, gerar um suporte de renda e melhorar o nível
nutricional das famílias rurais do Estado do Rio Grande do
Norte. Para tanto, foram introduzidas novas linhagens de aves
rústicas e práticas de manejo apropriadas à obtenção de lucro
com a atividade. |
Trata-se
da linhagem híbrida S757N da Isa Label cujas fêmeas
raramente chocam, apresentam uma capacidade de produção
de ovos de três vezes a da caipira comum e atingem o dobro
do peso.
O sistema preconizado atualmente é o semi-intensivo misto, composto
de 300 aves, sendo 225 aves (machos e fêmeas) divididas em três
lotes de idades com 30-45 dias de diferença, destinadas ao abate
e 75 dirigidas para postura. O criatório necessita de uma área de
1.600 m2 dos quais apenas 60 m² corresponde a parte coberta e o
restante é livre para caminhamento e pastejo, com duas divisões
por lote.
Após
120 dias de idade as aves podem ser abatidas e, decorridos seis
meses do começo do criatório espera-se que o sistema atinja a
fase inicial de estabilidade, passando a produzir cerca de 1.350
ovos (60% de índice de postura) mais 110 kg de carne em média/mês,
possibilitando a obtenção de uma receita em torno de 1,25 salários
mínimos, deduzidas as despesas com aquisição de pintos, alimentação
e medicamentos, sendo conduzido através da mão de obra familiar.
A
base da alimentação das aves é a ração balanceada. Uma ração adequada
deve conter quantidades equilibradas de proteína, energia metabolizável,
vitaminas e minerais. A medida que aumenta a idade da ave destinada
a corte diminui o requerimento protéico e aumenta o energético
devendo a ração conter em sua composição de 16% a 22% de proteína
bruta e de 2.900 kcal/kg a 3.100 kcal/kg, com teores de fósforo
em torno de 0,6% e de cálcio da ordem de 1,0%.
As
aves nunca devem consumir, na sua alimentação diária, menos que
80 gramas/dia de ração balanceada, na fase adulta, para as que
se destinam a postura. A proporção de concentrado comercial no
balanceamento de rações deve situar-se em 20% e o milho em 80%.
O milho pode ser substituído em até 20% por feno da parte aérea
da mandioca e, em até 30% por bagaço de caju enriquecido por leveduras.
Alimentos
alternativos como capins e folhas verdes, restos de hortas, restos
de colheitas, frutas, insetos, etc., as aves conseguem catar e
bicar ao ar livre. Uma alimentação variada traz vantagens para
o produtor, principalmente pela economia de ração balanceada,
que se refletirá em lucro. Por outro lado, o consumo de alimentos
alternativos como frutas e vegetais verdes, faz com que o ovo
e a carne produzidos tenham o aspecto e o autêntico sabor caipira.
O
pastejo das aves caipiras é muito importante na melhora das qualidade
organolépticas da carne e do ovo. É a massa verde que aumenta
o teor de vitamina A e faz com que as gemas dos ovos apresentem
coloração amarelo-avermelhada. Além disso, a introdução de massa
verde - capins, leguminosas, etc - pode representar uma economia
de, pelo menos 20% no custo de alimentação das aves. A forragem
verde pode ser oferecida até uma proporção de 20% do alimento,
em matéria seca, representando uma economia de 11,3% na ração
balanceada em relação e um consumo de cerca de 4,750 kg de forragem
(massa verde) por ave, no período de 30 a 135 dias de idade.
No intuito de melhor atender seus objetivos, o projeto compreende
dois tipos de ações:
- Pró
Renda - atua junto aos produtores rurais do Rio Grande do Norte
e tem por objetivos gerar renda para as famílias do meio rural
e possibilitar uma melhoria no padrão alimentar das populações
rurais.
- Pró
Alimento - atua junto às famílias carentes das comunidades rurais
e das periferias urbanas dos municípios do Rio Grande do Norte.
Tem como objetivo, incentivar essas famílias a criarem galinhas
caipiras nos quintais de suas moradias para a produção de ovos
e carne para sua alimentação.
É
executado de forma integrada, institucionalmente, onde cada órgão
envolvido tem seu papel bem definido, bem como a efetiva participação
de membros das comunidades rurais, como: A EMPARN, a Embrapa, o
SEBRAE e o PRONAF, no financiamento das pesquisas e publicações;
a EMATER e o SINE, no treinamento e capacitação de técnicos de extensão
e de produtores; a Secretaria de Estado de Ação Social, as Prefeituras
Municipais, as Associações Comunitárias e a Igreja, na aquisição
dos lotes, na seleção das comunidades rurais e na distribuição dos
lotes entre as famílias rurais.
Na
linha do Pró Renda, mais de 300 famílias já exercem a atividade
na produção de ovos e carne de ave caipira, obtendo uma renda suplementar.
O Pró Alimento já beneficiou mais de 8.000 famílias que receberam
lotes de aves de postura e de corte para criação, melhorando o padrão
alimentar. Além das famílias atendidas, é importante ressaltar como
resultado, a introdução de uma nova atividade econômica no agronegócio
do Estado voltada, principalmente, para a atividade da agricultura
familiar. O mercado está ampliando com o surgimento de novos negócios,
delineando uma nova cadeia
produtiva na atividade agrícola norteriograndense.
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