A bananicultura está entre as atividades agrícolas mais promissoras do Rio Grande do Norte. Em 2004, no Vale do Açu, principal pólo de fruticultura irrigada do RN, a bananicultura representou 50 % do valor bruto da produção (R$ 63.533.000,00). No mesmo ano, no Leste Potiguar, segundo maior pólo de bananicultura do estado e onde a prática de agricultura de sequeiro é predominante, respondeu por 7 % do valor bruto (R$ 210.443.000,00).
Esse quadro positivo abre precedentes para o investimento em atividades econômicas relacionadas à produção de insumos, tais como adubos, sementes e mudas. A implantação de tais atividades, além de gerar aumento na produtividade, traria fôlego ao mercado de micro e pequenas empresas e, com isso, promoveria a geração de emprego e renda para o estado. Dentre as atividades relacionadas à bananicultura, a produção de mudas pode ser destacada como uma das mais aplicáveis ao fortalecimento da produção.
As recomendações de identidade e sanidade vegetal vigentes no Brasil têm incentivado o desenvolvimento de sistemas de produção que permitam um maior controle fitossanitário. Isso abriu espaço para o surgimento de um novo mercado, o de produção de mudas certificadas. Este pressupõe o emprego de métodos e tecnologias de produção que garantam a obtenção de mudas com o padrão de qualidade pré-estabelecido para uma determinada espécie ou cultivar.
Dentro desse contexto, a cultura de tecidos vegetais surge como uma das tecnologias mais eficientes para a produção de mudas e, há anos, vem sendo empregada na produção de frutíferas, oleíricolas e grãos Os seus benefícios são amplamente reconhecidos: obtenção de um grande número de mudas, com elevado padrão fitossanitário e homogeneidade genética, em curtos períodos de produção. Além dos ganhos na produção, a cultura de tecidos pode ser uma ferramenta eficiente no combate a disseminação de pragas e doenças.
No Brasil, o uso da cultura de tecidos na bananicultura é uma realidade evidenciada pelo expressivo número de biofábricas que se dedicam a essa atividade. Isso é devido, primeiramente, a elevada produtividade do processo. De uma única planta-mãe, pode-se se obter entre 300 e 600 mudas de bananeira ao final de um período máximo de onze meses. De modo que a produção de mudas de bananeira via cultura de tecidos é uma atividade corriqueira em outros estados e tem sido empregada na instalação de bananais por todo o território nacional.
No entanto, no Rio Grande do Norte, a ausência de planejamento empresarial e os custos relacionados à produção de mudas in vitro têm dificultado a implantação dessa atividade. Isso faz com que os produtores recorram a biofábricas fora do estado (o que eleva os custos de produção) ou utilizem mudas de procedência duvidosa (o que limita a produtividade e aumento os riscos de disseminação de pragas e doenças).
Emparn investe na produção de mudas através da propagação
O Laboratório de Biotecnologia Vegetal da Emparn, é uma parceria com a Embrapa, BNB e UFRN, e foi construído em 2002, na base física da Emparn, Rommel Mesquita de Faria, no Jiqui. Atualmente, tem uma estrutura física de cerca de 250m², que conta de câmara de nebulização, telado para acliamatação, além de uma estrutura apropriada para a preparação de mudas em alta escala, toda essa estrutura está sendo reformada e ampliada, com recursos de dois projetos em andamento: o do Centro Tecnológico do Agronegócio do RN, e o de Biologia Avançada , do BNB e Embrapa.
O principal objetivo das pesquisas desenvolvidas no laboratório, é garantir aos produtores potiguares a redução dos custos de produção, principalmente na fruticultura, além de produzir mudas de excelente qualidade. As mudas são produzidas através da “micropropagação ou multiplicação in vitro”, que é a técnica de produção de mudas por cultura de tecidos vegetais, em laboratório. A micropropagação é a modalidade mais difundida da cultura de tecidos, e é amplamente empregada na produção comercial de plantas, já que permite uma multiplicação rápida e em períodos de tempo e espaço reduzidos, com a vantagem de manter a identidade genética do material propagado. As mudas podem ser produzidas em alta escala, em curto período de tempo; condições ambientais controladas, o que permite a obtenção de mudas uniformes e livre de pragas e doenças, devido a um maior controle fito sanitário, a um custo menor para o produtor que pode encontrar mudas certificadas no próprio estado. Atualmente a Emparn trabalha com 7 cultivares de banana, fornecidas pela Embrapa, que apresentam frutos com sabor, dimensão e textura semelhantes às cultivares Prata e Pacovan, são elas:
Tipo Prata- Pacovan, Prata-anã, Pacovan Ken e Japira
Tipo Leite- Tropical, Preciosa e Caipira).
O uso da micropropagação na produção de bananeira, é um grande avanço para o mercado da fruticultura potiguar, poruqe também proporciona a introdução no estado de cultivares de altíssima qualidade, mais resistentes às doenças e consequentemente mais produtivas, beneficia principalmente o controle das doenças mais comuns que afetam a bananicultura, como: o mal-do-panamá e o mal da sigatoka. Com exceção das cultivares Pacovan e Prata-anã, as demais apresentam resistência ao mal-do-panamá e ao mal da sigatoka amarela, doenças muito comum nas culturas do Rio Grande do Norte. O Laboratório também conta com um matrizeiro e uma sala de cultivo. Apesar do foco ser a banana, atualmente o laboratório também trabalha com abacaxi ornamental, orquídeas e helicônias.
Para a bióloga da Emparn, Lucila Carvalho, a produção de mudas através do método da micropropagação, é viável economicamente, porque beneficia desde um grande a um pequeno produtor, “ enquanto uma muda comum reproduz em média 20 mudas, destas apenas duas podem ser usadas para a reprodução, na micropropagação, cada muda reproduz em média 200 a 300 novas mudas e que podem ser usadas para reproduzir” o que significa uma economia grande para o produtor, que também vai economizar no uso produtos para o combate às pragas, já as que mudas produzidas no laboratóriio são mais resistentes à doenças.
Atualmente dois projetos estão em andamento para melhorra ainda mais as pesquisas voltadas para a bananicultura
* O de “Micropropagação a baixo custo de cultivares de bananeiras, resistentes ao mau da sigatoka, para a Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte”. Um custo de R$70 mil, financiado pelo BNB.
* E o de “ Biologia avançada e sua aplicação no agronegócio do RN”, Um custo de R$900 mil, recursos da Embrapa. Este projeto é destinado ao estudo da produção certificada de banana, abacaxi, cajá e cajamanga. Este projeto, em parceria com a UFRN.
Durante toda esta semana, estudantes e profissionais da área de biotecnologia participaram do curso de “Micropropagação de plantas lenhosas”, ministrado pelo PHD em Fitotecnia, Dr. Antônio Carlos Torres (Embrapa – Hortaliças) e pelo PHD em Biotecnologia Vegetal, prof. Dr. Miguel Pedro Guerra (UFSC), ambos membros do Centro Brasileiro-Argentino de Biotecnologia – CBABIO. O curso é mais uma prova da expansão do mercado e das pesquisas na área da biotecnologia. Os participantes tiveram aulas teóricas na UFRN, e práticas nos laboratórios de biotecnologia da Emparn.